O Retorno de Drakor - Fortinária e a batalha de Kadir

Bado Escudo de Carvalho entrou pelo salão do trono ainda trajando seu equipamento de batalha. Estava sujo, ofegante e suas vestes estavam cobertas de sangue, terra e mais sangue. Ajoelhou-se quando se aproximou do Dunkar.

_ Senhor, venho trazer-lhe o relatório da batalha nos campos de Kadir. Conseguimos vencer e o cerco foi finalmente desfeito. Tivemos muitas baixas mas foram menos do que esperávamos.

O Dunkar esboçou um sorriso e pareceu satisfeito com as palavras de seu Capitão-chefe.

_ É uma boa notícia meu bom amigo. Finalmente poderemos retomar as terras que nos pertencem... - Subitamente interrompeu a fala com uma crise de tosse que durou alguns segundos. Bado pode perceber a fragilidade de seu líder e se entristeceu por isso.

_ Senhor, devemos a vitória ao comandante dos humanos. Acho justo conceder-lhe o mérito que lhe é merecido. Nossos homens estiveram a ponto de debandar frente a um maciço ataque liderado por um demônio gigantesco. Mas Leriniel quando percebeu o movimento avançou por entre as fileiras inimigas na direção do general inimigo gritando o seu nome meu senhor. Os homens dele não exitaram em segui-lo para protege-lo e os anões retomaram sua força para acompanhar os humanos. O ataque foi fundamental e o jovem cavaleiro matou o demônio. Alguns estão chamando-o de Eriadas reencarnado.

_ Deixe que falem. É uma boa fama. O jovem Leriniel tem seu talento para a liderança. Ouvi de seus seguidores que ele próprio causou um racha no Império Uzamar com seu carisma e suas convicções. Agora que os uzamares sabem que seu imperador era Drakor, ele provavelmente vai retornar à sua terra como um forte candidato ao título de líder suprem... - Novamente uma crise de tosse interrompeu a fala de Krelian, mas ele logo retomou a fala - ... Bom, parabenize-o. Depois procure o príncipe Kaires e diga que desejo vê-lo imediatamente. Os inimigos não nos darão muito tempo para respirar.

_ Como desejar Lorde Krelian. - Com uma profunda reverência, Bado saiu do salão. O Dunkar realmente estava fraco e aparentava também estar muito doente. A idade o castigava e Bado sabia que, caso não estivesse gravemente debilitado, ele mesmo teria comandado o ataque que quebrou o cerco a Fortinária.

Foi encontrar Kaires nos portões, organizando e parabenizando os soldados que voltavam da batalha. Haviam muitos sorrisos nos rostos e Kaires conhecia uma infinidade deles pelos nomes, não apenas os oficiais mas também os homens de baixa patente. - Há muito do pai nele, será um bom Dunkar - Pensou Bado orgulhoso por ter ter sido mestre de armas do príncipe quando ele era mais jovem.

Assim que reconheceu Bado o príncipe se adiantou e abraçou-o de maneira súbita. O jovem era estupidamente forte e suas costelas doeram. Não era o estilo dos anões, mas era o estilo de Kaires.

_ Grande mestre, fico feliz em saber que estás vivo após esta batalha histórica. Já reportou as notícias de nossa vitória a meu pai?

_ Meu senhor, devia lapidar os teus modos, não convém me chamar de mestre. Sou apenas o capitão-chefe e tu és o príncipe de Kadres. Mas respondendo tua pergunta, já repassei o relatório como é meu dever. Fiquei sabendo de tua ordem e me encarreguei da tarefa. O Dunkar deseja vê-lo imediatamente. - Permitiu-se sorrir após a resposta ríspida. - Também agradeço aos Deuses que estejas bem jovem príncipe.

_ Você continua sendo o chato que sempre foi Bado. - Disse sorrindo de maneira zombeteira e com uma leve batida nas costas do capitão. - Verei o que meu pai tem de tão urgente para tratar comigo. Deve querer saber detalhes sobre a vitória.

Assim que o príncipe partiu, Bado foi procurar por Leriniel no templo onde estava sendo tratado. O comandante humano havia sofrido sérios ferimentos no combate contra o general inimigo e Bado não podia deixar de achar impressionante a comparação do homem com Eriadas, o lendário herói humano. Apesar disso, havia queimado gravemente o braço direito quando golpeara o demônio e tinha várias perfurações e cortes devido à intensa batalha. Havia sido atingido por uma flecha na coxa mas isso não o impediu de continuar cavalgando durante o combate.

Encontrou o jovem cercado por seus oficiais e amigos em um templo da deusa da vida. Leriniel aparentava estar cansado e ele estava sentado numa cama de palha devido aos ferimentos na perna. O braço direito encontrava-se todo enfaixado.

_ O sacerdote disse que vai sobreviver jovem comandante. - Disse Bado de maneira severa. - Devemos agradecer aos Deuses por terem nos dado força e sabedoria para vencermos a batalha e ainda estarmos vivos.

_ Agradeço-os certamente capitão-chefe. Mas não devemos relaxar agora. O cerco foi quebrado e o exército inimigo debandou, mas é apenas uma questão de tempo até que os grandes generais do Dragão descubram a derrota e mandem um exército ainda maior para nos matar. O inimigo se utiliza dos mortos e quanto mais combates travamos, mais soldados ele terá. Os necromantes devem ser nosso alvo neste momento.

_ Se tivermos alguma sorte, o líder dos necromantes pode ser derrotado por nossos amigos que partiram em busca da filactéria do Dragão Lich. Mas concordo que não devemos contar apenas com a sorte. Vim parabénizá-lo por teu ato heróico em combate. Atribuí a você a vitória quando a narrei para o Dunkar.

_ Agradeço-lhe meu amigo. Tenho outra notícia boa para dar ao Dunkar: Durkarof retornou a pouco, meus homens me informaram que ele demorou porque veio arrastando a cabeça de sua presa por vários e vários quilômetros.

_ Então o matador de Dragões adicionou mais um à sua contagem de presas. Agora são nove no total. O Dunkar vai gostar de saber que não há mais nenhum lagarto escamoso assolando a região de Forta. - Disse Bado sem demonstrar surpresa.

_ Os homens querem pintar a cabeça do dragão com óleo negro e atear fogo para intimidar os próximos adversários que encontrarmos. Achei a idéia interessante. - Leriniel sorriu ao imaginar a cena.

Conversaram por mais algum tempo e Bado despediu-se de maneira cortês. Agora ele também queria descansar e recuperar-se da dura batalha que vencera a poucas horas. Seu corpo doía e os braços estavam dormentes de cansaço. Pelo menos poderia dormir um pouco. Suspirou profundamente quando finalmente avistou sua casa mas antes que pudesse alcançar a porta e ter seu merecido descanso a grave e potente trombeta de guerra de Fortinária ecoou pelas muralhas de maneira completamente inesperada!

Comentários

Renato disse…
"Se tivermos alguma sorte, o líder dos necromantes pode ser derrotado por nossos amigos que partiram em busca da filactéria do Dragão Lich."

Então eles estão com sorte!!! A filactéria é nossa!!!!

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