O Protegido do Dragão

Durkad fazia sua patrulha rotineira, cobrindo vários dukes de terra à procura de sinais do inimigo. Os exércitos do escolhido do Sol logo deveriam se mobilizar para a grande e última batalha de Esdra. Os elfos ainda resistiam, mas não poderiam suportar o pesado ataque da cavalaria alada inimiga. As cidades élficas eram belíssimas, mas extremamente difíceis de se defender. Era esta a opinião de Durkad e ele sabia que suas opiniões eram sempre corretas.
Fortinária, entretanto era fácil de se defender. Na verdade a fortaleza era um bastião de força e glória dos anões em Denaroth. Esculpida em uma montanha, a capital do reino de Kadres jamais havia sido derrotada em sua história. Nunca um Dunkar foi subjulgado dentro de suas muralhas, e a profecia anã ainda continuava intacta. Todos confiavam em seu novo líder, aquele que dizia ter sido escolhido por Toran para trazer a glória aos anões novamente: Krelian era seu nome e sua simples menção era suficiente para causar pânico nos inimigos de Kadres.
Porém, naquela patrulha em especial, Durkad deparou com algo inesperado. Fora enviado para verificar uma série de luzes estranhas avistadas na noite anterior. Imaginava que se tratava de alguma vila incendiada pelos covardes soldados do império Daviano, mas desta vez ele estava enganado.
O patrulheiro anão deparou-se com uma cena de devastação. Árvores carbonizadas e derrubadas indicavam que uma grande explosão acontecera naquele local. Durkad logo suspeitou que aquilo seria fruto de magia, só podia ser. Os anões não eram adeptos da magia arcana e por isso Durkad se colocou em alerta.
Seus treinados ouvidos então notaram um som que não era esperado. Um choro de criança despertou sua atenção, mas o som estava abafado e difícil de ouvir. Foi graças à sua aguçada audição que o pequeno pôde ser encontrado.
Durkad ficou ainda mais estupefato quando percebeu de onde o som estava vindo. Um ovo com aproximadamente um metro de altura estava escondido no meio dos escombros e das arvores carbonizadas. De dentro, ouvia-se um choro de criança. Durkad estava cauteloso e aproximou-se vagarosamente. Quando chegou mais perto, o ovo se partiu e o anão pode distinguir claramente a cabeça de um pequeno dragão dourado.
A surpresa foi que, junto ao jovem dragão, havia uma criança. Ambos compartilhavam o estranho ovo. Durkad ficou curioso com o fato mas supôs que o ovo era do dragão e este havia recolhido a criança para protegê-la, pois sabia que dragões dourados eram bondosos e por isso deixou o filhote em paz. Ele tratou de levar a criança consigo, para que não morresse alí sozinha de fome ou sede. O pequeno dragão entretanto o seguiu com uma persistência infinita. E o trio acabou indo parar em Fortinária.
Durkad nomeou a criança de Berokadir, que em anão significa “Protegido do dragão” devido a insistência do jovem dragão dourado em se manter próximo a criança e agir como um guardião literalmente. Estranhamente, aquele dragão não crescia como os outros de sua raça, e Durkad apelidou o dragão de Berous, que significava “Dragão pequeno”. Logo o nome foi simplificado para Berus.
A criança cresceu aparentemente como um humano normal, mas o jovem apresentava uma força muito além dos outros representantes de sua raça, e o apelido “Atlas” logo passou a ser confundido com seu próprio nome. A palavra significa “Força” no idioma anão.
Atlas e Berus cresceram entre os anões, e aprenderam suas tradições e habilidades. Além da força descomunal, o jovem apresentava sinais de possuir algum talento mágico natural. Apesar de os anões terem enviado o garoto para tentar aprender mais sobre suas aptidões com os elfos, o jovem retornou logo, não se sentido confortável com o estilo de vida diferente e também valorizando mais o trabalho duro e a força física do que a magia e seus mistérios. Com o tempo, o jovem se tornou um valioso guerreiro nas fileiras Fortinarianas, assim como seu leal companheiro dragão “anão”.

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