O Retorno de Drakor - Decisões de Alarish

O Drow ainda tinha as roupas sujas com o sangue de seu mestre. Cortara a garganta de Gkhalë com um punhal sem pestanejar quando seus captores libertaram ambos, mas seu mestre estava com as mãos atadas. Foi um ato covarde mas necessário para sobreviver depois de ter entregado tão preciosa informação aos inimigos. Agora eles sabiam sobre o ponto fraco de Astúrion, o necromante demoníaco, o cego que tudo via, o usurpador de toda a vida.

Alarish fitou a bifurcação com a mente confusa e cheia de dúvidas:

_ Se seguir para o leste retorno para Arcänia, para junto de meus irmãos e para a vassalagem ao necromante e punição por ter levado os inimigos até a porta secreta. Se seguir para oeste enfrentarei um mundo de homens querendo a minha cabeça empalada numa estaca, enfrentarei a desconfiança e a ira dos anões também. - O Drow pensava consigo mesmo. parado no meio do tortuoso caminho pelo qual tinham guiado o grupo de inimigos até uma entrada secreta da cidade necrópole.

_ Os humanos e aliados são mesmo estúpidos. Aquilo que chamam de honra eu chamo de burrice. Como podem ter deixado um inimigo como eu partir? Alguém que sabe exatamente por qual ponto eles pretendem atacar a cidade do necromante cego. Devem ter pensado que eu não teria tempo de alcançar os portões antes da incursão deles pela porta lateral. Tolos. Eu terei glórias sem fim quando delatar os inimigos ao necromante. Entregarei o maldito Flagelo do Dragão e o desgraçado campeão de Lúminus. Asturion também ficará feliz em ter em mãos aquele que enganou Maltezumo e para coroar a captura terá em mãos ninguém menos que a herdeira de Eleldar. Fiz bem em decorar os nomes e títulos quando aqueles pomposos idiotas resolveram ficar se gabando frente aos mercenários da cidade.

O Drow refletia sobre sua decisão e continuava debatendo consigo mesmo:

_ Eles podiam ter me entregado para os mercenários. Por que não o fizeram? Por que enfrentaram sua própria gente para proteger dois inimigos cativos? Se fossem inteligentes torturariam-nos ambos. Mas não fizeram isso. Mantiveram a palavra dada. Apesar de achar isso uma burrice imensa não posso deixar de lhes dar algum valor pela atitude. Mas já paguei minha dívida com eles, já lhes revelei o ponto fraco do usurpador de toda vida. Não devo mais nada a essa ralé. Drakor retornará e destruirá seus inimigos de qualquer maneira então não há escolha a se tomar. Apenas um caminho a seguir.

Alarish fitou a estrada do leste com determinação e ameaçou começar a caminhada. Mas não se moveu. Continuava parado entre os dois caminhos. Uma pergunta estava em sua mente:

_ E se este bando de loucos realmente conseguir capturar a filactéria de Drakor?

Os desdobramentos daquela possibilidade tomavam seus pensamentos como ondas furiosas. Astúrion era poderoso, certamente e as lendas e histórias sobre ele eram assustadoras. Diziam que havia trocado um olho pelo poder de ver através de seus mortos reanimados e o outro havia oferecido a Drakor para provar sua lealdade. E havia sido recompensado pelo Dragão Negro Rei com poder. Muito poder.

Entretanto, Astúrion não era invencível. Era imortal mas não era invencível. Drakor poderia ter confiado sua filactéria a outros generais mais poderosos que ele, mas nenhum deles era tão leal, isso era um fato. O grupo de heróis loucos que estava tentando invadir Arcänia não tinha noção do poder que enfrentariam, mas Alarish teve que admitir que não esperava tamanha habilidade do grupo inimigo também.

_ Se eles derrotarem Astúrion e levarem a filactéria ainda assim não saberão como destruí-la. Asturion jamais lhes dará a informação devido a sua lealdade e poucos outros neste mundo sabem como destruir aquele objeto mágico. Mas não lhes devo mais nada, paguei minha vida com a informação que pode poupar-lhes a vida num confronto com o necromante. Mais nada lhes devo, então por que a dúvida?

Fitou a bifurcação por mais alguns minutos e finalmente decidiu-se e retomou sua marcha acelerada. Não poderia perder mais tempo e não acreditava na decisão que tinha tomado.


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