Os Manuscritos de Willian Cross


- Ano Imperial 1699 do sagrado calendário estelariano - 

Meu nome é Willian Cross. Antigo sacerdote de Arkon. Esta noite eu pretendo partir para enfrentar um antigo Deus que foi banido do panteão sagrado de Esdra. O Deus das sombras. Mas antes de partir decidi documentar um fato importante de minha vida neste manuscrito.A dez anos atrás, eu e um grupo de famosos heróis conhecidos como "Espadas Sagradas" decidimos enfrentar o Dragão Vermelho Rei que habita a montanha do fogo de Beril. Sabíamos da árdua tarefa que nos aguardava, mas julgávamos ser nossa obrigação livrar o mundo de sua influencia maléfica. Fomos ingênuos pois os poderes do Dragão Rei eram infinitamente superiores aos nossos. Fomos poupados na época e a conversa que tive com o Dragão me ficou incrustada na memória. Por longos anos após aquele encontro eu procurei o rei élfico para confirmar ou negar as palavras do dragão, mas falhei na missão. A dúvida que ele plantou em minha mente naquela tarde fatídica destruiu minha fé. Mas agora que me deparo com a morte certa acho que devo escrever minha conversa com o Dragão vermelho rei, para que assim outros possam ter o benefício da dúvida quando ouvirem as longas histórias de Ledras e Temo sobre as eras antigas.
"
_ O que pretendes fazer agora clérigo de Arkon? Sois o único que ainda não sucumbiu frente a uma pequena fração de meu poder. Ainda acreditas que teu Deus pode salvá-lo do destino de ter teu futuro decidido por mim?

_ Cala-te Dragão Rei. Se não tive forças suficientes para derrotá-lo é porque Arkon não me deve ter julgado digno desta façanha. És poderoso, mas os Deuses estão além até mesmo de teu poder. Sabeis bem disto, pois já foste um vassalo deles no passado, e ainda o é após tua odiosa traição para com eles.

_ Estás a beira da morte e ainda assim comporta-se de maneira insolente. Faz-me lembrar bem dos tempos em que os Deuses caminhavam por estas terras. Tens tanta confiança no poder deles que tal fé o cega. Contar-te-ei um segredo antes do fim jovem clérigo de Arkon: Os deuses não tem tanto poder assim. Ouviste desde pequeno histórias mentirosas a respeito deles e da suposta traição dos dragões reis.

_ Não me surpreende que tais palavras venham de teus lábios traiçoeiros Dragão rei. Teu orgulho ferido é tão presente que eu até posso sentí-lo.

_ És tolo fiel de Arkon. Acreditas mesmo que nós, os cinco Dragões reis eramos vassalos dos Deuses? Pois saiba que esta história apenas é contada pelos bardos de tua era pelo fato dos Deuses terem vencido a guerra entre nós. Pois éramos nós os juízes dos Deuses nos tempos antigos. Esta função nos foi imposta por Esdra e acredite quando digo que nós eramos tão poderosos, senão mais poderosos, que os próprios Deuses naquela época.

_ Faz-me rir se pensas que posso acreditar em tão fantasiosa história Dragão Rei. Juízes dos Deuses? Tua imaginação não deve ser superada nem mesmo por tua enorme arrogância.

_ Naquela época, os Deuses caminhavam entre os mortais. Dividiam o mundo e o governavam como bem entendiam. Os Deuses não são esquivos de defeitos jovem clérigo, e a sua arrogância e ambição causavam tantas desgraças que tua limitada imaginação não é capaz de compreender. Esdra e Serena resolveram impedir o caos e impuseram a nós Dragões, os mais antigos e poderosos habitantes de Esdra, a tarefa de julgar os atos dos Deuses. Os cinco Dragões Rei eram conhecidos como "Os cinco Juízes" naqueles tempos. Os Dragões eram poderosos e tivemos êxito em trazer civilidade ao convívio dos Deuses.

_ Não é esta história que os Deuses contam Dragão Rei. Pois eu bem sei que vocês eram vassalos dos Deuses, seus braços direitos, mas subordinados a eles.

_ Cala-te jovem arrogante, deixa-me terminar meu relato. Os Deuses, apesar da clara melhora do mundo, não se contentavam em ser julgados. Oito Deuses então se uniram para tramar contra nós e passaram a não mais se submeterem ao nosso julgamento. Como guardiões do mundo nosso dever era puní-los, e foi isso que iniciou a guerra entre nós.

_ Essa não é a verdadeira história Dragão. A verdade é que vocês estavam descontentes por não terem os mesmos direitos dos Deuses, apesar de serem poderosos e influentes. Vocês cinco tramaram contra os Deuses e tentaram tomar-lhes as terras. Exigiram igualdade para com eles e o título de Deuses também. Mas estas ambições lhes foram negadas e vocês iniciaram a guerra em retaliação. Os manuscritos de Ledras e Temo são bem claros nestes fatos. Não poderás me iludir jamais.

_ Ledras e Temo eram vassalos dos Deuses, eram filhos dos imortais filhos dos Deuses. É evidente que eles escreveriam a história dos vencedores jovem estúpido clérigo. A verdade é que nós perdemos a guerra, pois Drakien e Drakiel se recusaram a continuar com a destruição que nosso conflito havia causado no mundo. A abstenção deles nos custou a vitória. Os oito Deuses traidores obtiveram então mais poder do que os demais, e eles são aqueles a quem vocês mortais estúpidos adoram como os Deuses Maiores de Esdra. Metade de nossos poderes nos foram tomados e o resto da história sobre a espada do Dragão tu já deves ter ouvido dos bardos.

_ Não posso acreditar em tuas mentiras Drakan. Se pensas que irei dizer que acredito em tí apenas para que poupe minha vida estás enganado. Sou um seguidor de Arkon e apenas desistirei quando não mais houver vida em meu corpo.

_ Esta condição eu certamente posso providenciar com grande facilidade. Mas pouparei a você e teus estúpidos amigos. Se realmente queres saber a verdade sobre os fatos dos tempos antigos, deves procurar Eleldar, o filho de Karin, supremo rei dos elfos e último filho dos Deuses que ainda respira em Esdra. Ele lhe poderá confirmar minhas palavras. Agora agradeça a mim, e não a Arkon a dádiva de poder viver mais alguns míseros dias de tuas curtas vidas sem sentido. "

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