A lenda do brilho sombrio

Drowmorëldor é conhecida em Esdra como "A Cidade Sombria". O mau e o medo imperam na região aos arredores da cidade. A cidadela fortaleza é famosa por seus cruéis habitantes: Os poderosos elfos negros.

Quando atingem uma determinada idade, uma prova lhes é imposta. Os jovens drows devem provar seu valor vivendo no exílio, na perigosa e selvagem floresta da morte por três anos, para que possam retornar e serem considerados verdadeiros membros da sociedade Drow. Apenas os poderosos sobrevivem ao cruel teste, e Laucian era um destes.

Filho do Rei Lastiël, ele fora o caçula de 3 irmãos. Lorus, Elricth e Laucian sempre foram muito cobrados por toda a sociedade, pois os principes Drows sempre devem ser os mais fortes entre todos os demais de sua raça. Desde pequenos, os três principes foram preparados para uma vida de luta e glória. Aprendendo a suportar a dor e sendo instruídos nos rituais maléficos da sociedade dos elfos sombrios. Quando foram para o exílio, os principes resolveram provar seu valor voltando para Drowmorëldor com um presente para seu pai e partiram em busca de um raro artefato que vivia escondido num secreto templo de Luna na floresta da Lua, segundo as lendas contavam.

Lorus liderou seus irmãos e mais um grupo de corajosos jovens rumo ao templo. Todos eles sabiam que o templo era defendido por alguns dos mais habilidosos elfos que existiam em Esdra e sua jornada não seria fácil. Os Drows alcançaram o templo com muita dificuldade graças aos talentos inigualáveis de Lorus, que prometia ser o mais poderoso dos sete reis de Drowmorëldor um dia. Seus irmãos o admiravam por seu poder, mas até mesmo eles se assustavam com sua crueldade algumas vezes. Não que eles também não fossem cruéis, mas a maldade no coração de Lorus excedia qualquer limite já antes imaginado.

Eldricth também exibia formidáveis habilidades, e vivia sempre em conflito com Lorus. Competindo com ele, mas geralmente sendo superado por seu poderoso irmão mais velho. Laucian tentava aprender com ambos e se mantinha neutro na disputa pela liderança do grupo entre os dois irmãos mais velhos. Quando finalmente alcançaram o templo, todo o talento e treinamento deles foi novamente posto a prova: Os elfos da lua exibiam formidáveis habilidades e o grupo de Drows encontrou-se em uma situação desfavorável. 

Foi no momento decisivo da batalha, que Eldricth traiu Lorus. Apunhalou-o pelas costas durante a batalha logo após o irmão ter derrubado os habilidosos sentinelas do templo. Laucian presenciou a cena e partiu em direção ao irmão traidor com ódio e dúvidas em sua mente. A ganância pelo trono devia estar movendo seu irmão, mas ele deveria pagar pela traição. Quando eles entraram no templo, porém, o objeto mágico no pedestal brilhou de uma maneira inimaginável.

Uma luz prateada surgiu e cegou Laucian de súbito. Gritos de dor e agonia foram ouvidos a quilômetros naquele dia e o jovem Drow não mais se lembrou do que aconteceu após aquela luz cegante imobiliza-lo. Ele acordou sob os cuidados de um grupo de elfos da lua. Seu corpo imobilizado o impedia de tentar escapar ou matar seus benfeitores. Os elfos cuidaram dele, e trataram seus olhos, mas sem muito sucesso durante alguns anos. A paralisia entretanto fora revertida com muito custo e sacrifício dos elfos da Lua. Laucian não pôde deixar de dar valor aos esforços de seus supostos inimigos. As dúvidas agora dominavam sua mente.

Toda a filosofia de maldade e crueldade que havia sido ensinada ao jovem principe das trevas parecia perder o sentido ante a filosofia de paz e justiça pregada pelos elfos da lua. Não ousou perguntar o que acontecera naquele fatídico dia em que ele e seus irmãos tentaram roubar o templo de Luna, e aprendeu a respeitar a deusa que lhe havia poupado a vida, apesar de sua ganância e seu ódio cego.

Quando voltou a andar e se movimentar, mesmo com dificuldades, os elfos da lua lhe ensinaram novos truques, novas habilidades para que ele pudesse sobreviver, mesmo sem sua visão. Durante cinco anos ele conviveu com seus benfeitores, aprendendo com eles e purificando sua alma de todo o ódio e crueldade que lhe havia sido ensinado em Drowmorëldor. Com o tempo ele passou a valorizar a vida como os elfos o faziam.

Um dia, Laucian sonhou com a Deusa Luna. No sonho, ela curou seus olhos cegos. Quando ele acordou, sua visão havia voltado, mas seus olhos exibiam um tom prateado, como um leve reflexo de um brilho de luar. O jovem Drow sentiu então que era o momento de partir. Deixou a floresta da Lua para descobrir um sentido em sua conturbada existência. Agora ele sabia que tinha um propósito em sua vida, seguia uma intuição que não podia explicar. Laucian sabia que não poderia voltar para Drowmorëldor. Seria considerado um traidor e executado sob as rígidas leis da cidadela, portanto partiu na direção oposta e ouviu rumores sobre o escolhido de Arkon destruindo o mundo. Então partiu numa árdua viagem até Fortinária, a última cidade da resistência.

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